Pensamentos Avulsos

Refletir antes de Concluir: Um Exercício de consciência.

“O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor”. FAULKNER, William.

Já aconteceu de você chegar a conclusões caóticas, descompassadas e automáticas sem necessariamente ter refletido sobre a aplicabilidade ou a realidade daquilo? 

Comigo já. Mais vezes do que eu possa me enumerar ou tampouco lembrar. Esse post é sobre isso.

O papel da consciência

Durkheim, em uma de suas grandes obras, estudou a religião primitiva do sistema Totêmico, na Austrália, para responder uma pergunta central: quais são os elementos fundamentais da religião e qual a sua função social? Em outras palavras, quais são os elementos essenciais da religião? Para isso, ele reforça a importância de, antes de qualquer movimento, caminhar com o leitor ombro a ombro para alinhar, a fim de estarem na mesma página, o que deve ser entendido como religião. Porque, veja, como Durkheim poderia garantir que o leitor compreenderá quais as formas primitivas da religião se o conceito em si não está claro para quem embarcou na leitura? O mesmo se dá com a vida.

Com frequência, nos pegamos (muitas vezes inconscientes disso) julgando noções que se formaram em nós pelos revezes da vida. Isto é, pela interação social, criação familiar, escolaridade (ou ausência dela). Nesse sentido, alerta Durkheim: “essas pré-noções se formaram sem método, seguindo os acasos e encontros da vida, elas não têm direito a nenhum crédito e devem ser rigorosamente mantidas afastadas do exame que se seguirá”. 

Aqui, convido-lhe a refletir sobre situações que você esteja passando agora ou que, de alguma maneira, estejam mais próximas de você no momento. Quando você julga esses acontecimentos, que respaldo você tem? Onde você buscou informações sobre? Como você chegou a conclusão que chegou ou empacou na conclusão que deveria chegar? Estas, são perguntas fundamentais para questionar:

Seu estilo de vida.

Suas crenças.

O modo como você enxerga o mundo. 

Como você responde a uma interação com o outro.

Lembro como se fosse hoje quando estava na faculdade e ouvi pela primeira vez a frase “O ponto de vista cria o objeto”, de Fernand de Saussure. Ela não poderia ser mais simples e mais real. Porque, impreterivelmente, as coisas começam no plano das ideias e, a depender das ideias que residem em nossos pensamentos, enxergaremos o mundo de maneira diferente. Não podemos apagar essas ideias. Contudo, todos os dias estamos aptos a reescrevê-las internamente, expandindo nossa consciência.