A vida é a arte de tornar-se.
É o intervalo entre nascer lagarta e, com esforço, coragem e virtude, morrer borboleta.
Não se trata de acumular, vencer ou agradar. É sobre ser verdadeiro diante do tempo que nos foi dado.
A vida é um processo de lapidação da alma. Caramba! Ela é ao mesmo tempo poética, racional e profundamente humana. E aqueles que aceitam essa tarefa, não apenas vivem — eles florescem. Agora, vamos lá para essa missão que é responder a pergunta:
“O que é a vida?”
Observação: Vou usar conceitos que eu acredito que sintetizam muito bem o que é essa dádiva, espero que gostem <3
A vida, sob a luz do estoicismo e da filosofia clássica, não é um destino, mas uma jornada de auto lapidação — como a da lagarta que, ao ouvir um chamado invisível, abandona a compulsão do movimento exterior para se recolher no casulo e se refazer por dentro.
A vida é um processo de transformação constante. Não é sobre evitar a dor, mas atravessá-la com coragem.
Vejamos a natureza: as coisas não nascem prontas. Nem os pássaros voando, nem a árvore dando frutos, nem o leão caçando. Nós também não nascemos virtuosos. Por isso, a vida é o tempo que recebemos para nos tornarmos quem ainda não somos, mas podemos vir a ser. Lembre-se: no casulo, a lagarta dissolve a si mesma para que algo mais elevado emerja. A vida é isso, ela faz o mesmo: dissolve suas paixões cegas, seus desejos desordenados, suas ilusões de controle, para que a razão e a virtude se tornem suas asas.
Agora que “sabemos” (com muitas aspas) o que é a vida…
Há um jeito certo ou errado de vivê-la? 🤔
Vejamos. Para os estóicos, viver bem não é viver sem sofrimento, é viver de forma íntegra diante dele. Epicteto, grande filósofo estóico, nos lembra que não escolhemos os eventos da vida, mas escolhemos como responder a eles. A lagarta, ao aceitar o casulo, não foge da morte de sua antiga forma. Ela a abraça como parte do processo de crescimento. Eu sei, estou sendo repetitiva, mas esse bichinho rastejante é ou não é uma excelente metáfora para tudo?
A filosofia estóica nos convida a viver de acordo com a natureza (kata phusin). Isso significa reconhecer que a vida tem um fluxo próprio, que não gira ao redor de nossos desejos. É aceitar a impermanência, a fragilidade, a interdependência. Assim como a borboleta não controla o vento, mas voa com ele, o ser humano sábio não luta contra a vida, mas aprende a dançar com ela, com serenidade.
Particularmente, sou apaixonada pelo conceito que Aristóteles, em Ética a Nicômaco, chamou de eudaimonia como gatilho para sair todos os dias da minha cama quentinha às 04:00h da manhã: Eudaimonia é a finalidade suprema da existência humana (que é tudo menos prazer, ou sucesso, tampouco tranquilidade passageira); é a plena realização da nossa natureza racional e ética — ou seja, viver com retidão (virtude), cultivando a excelência (areté) em tudo o que somos.
“A vida feliz é aquela conforme à virtude.” – Aristóteles (Ética a Nicômaco, Livro I)No fundo, a vida eudaimônica é um convite a ser inteiro.
É quando o nosso caráter e nossas ações se tornam um só.
É quando o dever e o desejo andam na mesma direção.
Assim como a borboleta realiza sua essência ao voar, o ser humano realiza a sua ao viver virtuosamente.
