Pensamentos Avulsos

A ansiedade da espera e a beleza do reencontro.

Quantos encontros acontecem no Carnaval. Muitos? Centenas? Que deixam rastro, poucos. Talvez um único. O encontro da sorte de ser encontrada. Uma foto de brincadeira e o destino batendo no direct de verdade. Tem sentimentos que não pedem licença, eles simplesmente ocupam o sofá, pedem um vinho e decidem passar a noite.

Esse único encontro acontece entre as risadas de amigos e mergulhos na piscina. No café da manhã, no gosto da rotina fora de ordem, mas que, de alguma forma, parece ocupar a estante como prêmio de a mais correta. No gosto dos corpos e também… na lareira acolhedora e ao mesmo tempo agonizante do silêncio.

Observar um sentimento nascer é um exercício de paciência que muitas vezes nós não dominamos. Ou melhor, nem temos. 

08:26h. 

08:34h.

14:16h. 

17:09h. Mais uma vez buscamos por uma notificação. É engraçado, sabe? A palavra “encontro” tem sua origem no latim incontrare, formado pela junção do prefixo in- (“em”, “para dentro”) e contra (“contra”, “oposto”). Originalmente, o termo designava um confronto ou oposição, evoluindo para o sentido de “ir na direção de” ou deparar-se com algo/alguém. Hoje, as mensagens vão na direção dos transeuntes. Da amante, do amigo. Contudo, a presença não ocorre; se arrasta e escapa aos dedos, como uma ampulheta em que a areia escorre. Nesse intervalo em que ansiamos a espera e bem aventurados desejamos o reencontro. Até o reconstruímos oniricamente. Histórias suas, sons nossos, lembramo-nos de cada toque. É doido, caçamos e buscamos até o erro, a fresta por onde o encanto pudesse ter escapado. É curioso como a mente tenta nos convencer de que a conexão é um delírio só nosso, só porque o celular não vibra na hora que o coração pede. Destarte, o sentimento está presente, pulsa. Sobrevive ao vácuo das horas. Ele se mantém aquecido na mensagem no fim de tarde. Que traz consigo o sol se pondo. Seria isso uma metáfora da beleza que há na impermanência e o convite à promessa de um novo começo?

Os encontros não precisam de monitoramento 24h para serem reais.

Ainda assim, eu sei. É difícil esperar. Com o miojo, o microondas, o fast-food, o whatsapp e tantas coisas hoje instantâneas. Será que esse “aperto” no peito é só o medo que sentimos de perder o que mal começou, mas que já tem peso de algo que sabemos, inconscientemente, que é importante?

As cartas que o destino traz têm um ritmo que eu ainda estou aprendendo a ler. O bom é que a cigana leu o meu destino e me explicou que no baralho as cartas sozinhas não dizem nada, precisam de combinações. De dois. De ouro. O novo ano, o novo ciclo, me fazem parar de pensar e sim… vivenciar. Guardo o baralho das minhas inquietações e escolho acreditar no quão bom é ser vulnerável. Porque é nisso que o sentimento recém-nascido se apoia. E, pelo visto, onde ele quer crescer.

Pensamentos Avulsos

Motivos para continuar

Motivos para Continuar

“Age como alguém que influencia o destino de muitos.”

— Sêneca, Cartas, 94.

Do meu quarto, encaro o calentário do próximo ano enviado pelo marketing do médico sem fronteiras.

Disposto sobre a mesa com o slogan:

Quais são os seus?

Me lembro que houve um tempo em que para mim, não havia nenhum. É nítido em minha memória. As luzes apagadas, a antiga casa dos meus pais. Todos dormindo, inclusive minha irmã, ao meu lado, na cama que costumávamos compartilhar. Me recordo de encarar o teto de madeira e pensar:

— Qual é o motivo de acordar amanhã? — A vida seria tão mais fácil, simples, se eu pudesse não acordar.

Nos dias de hoje é o contrário. Quer dizer, um misto disso. Grande parte de mim, antes de descobrir uma lesão na coluna e precisar operar às pressas, achava que sabia de todos os motivos para continuar.

Continuar me exercitando.

Continuar seguindo a dieta.

Continuar indo para o trabalho.

Continuar limpando a casa.

Continuar, continuar, continuar.

Mas quando a vida te força a parar, a renunciar a tudo e a todos, ao que você ama, o que sobra?

E se continuar agora significasse permanecer quieto, parado e inerte, qual nova conotação ganha o sentido?

Encaro minha mala no canto do quarto da casa da minha avó e tia, onde estou temporariamente sob cuidados pós operatórios e de repente desejo fugir.

— Para onde? — Escuto os meus próprios pensamentos…

— Para o meu verdadeiro Eu — Respondo.

futuro quem eu sou
felicidadeestoica texto motivacional

AFINAL, QUEM É NOSSO VERDADEIRO EU?

Aquele que mesmo incapacitado, adoecido, vulnerável, melancólico, apequenado, taciturno, desgastado, cansado, sobrecarregado… emerge das águas que o afogam, dia após dia, limpa o rosto demoradamente com ambas as mãos, retira o excesso de água e sorri! Largo. Os dentes podem estar meio opacos, desalinhados. Contudo, ele ainda assim sorri e…

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Julia Porto

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@juliasporto

Ele bate os braços e as pernas preguiçosamente ao meu encontro e me convida a entrar também!

ele pode jurar que a água está uma delícia, que não há perigo e que eu sei como nadar.

Viktor Frankl uma vez disse, em sua obra “Em busca de sentido”, que o ser humano é aquele a que tudo se adapta. Talvez, esse seja o motivo que erroneamente usamos para continuar. O fato de, por sobrevivência ou desespero, continuarmos a qualquer custo. Mas a que preço?

Talvez, só talvez, a prioridade, o farol, a luz que guia, seja encontrar o caminho de volta a si mesmo e nele arrastar consigo toda a humanidade.

“Tudo o que um homem excelente (ou um grande homem) faz, os homens comuns imitam, e o padrão que ele estabelece, todo o mundo o segue”

— Bhagavad-Gita¹. 3.21.

¹ Livro sagrado do hinduísmo, a mais conhecida obra da literatura sânscrita, e uma das mais importantes da literatura universal. A Bhagavad-Gītā (“Canto do Bem-aventurado”) é um diálogo filosófico e espiritual que compõe parte do épico indiano Mahābhārata. Composta por 18 capítulos e cerca de 700 versos, ela apresenta o ensinamento do deus Krishna ao guerreiro Arjuna, que está tomado por dúvida e angústia no campo de batalha de Kurukshetra.

Pensamentos Avulsos

✨O tempero da Vida

Uma vez assisti um filme que chamou os imprevistos de temperos da vida. Achei engraçado como o personagem em questão, um chef, conseguiu resumir tão bem, pela perspectiva de sua profissão, nossos vieses.

Como seria uma comida sem nenhum tempero? Aliás, acho que no fundo todos nós sabemos: é aquela que te faz sobreviver mas não alimenta. Assim é a vida.

Muitas vezes a vida está ali, presente e nos nutrindo, é verdade. Garantindo nossa subsistência, o calor, a segurança, a homeostase, a digestão. Contudo, não o essencial: o alimento do ser.

Da minha cama observo a chuva cair e os múltiplos aspectos que a vida em sua sabedoria manifesta este alimento, este da alma! Aqui, cabe ressaltar que a palavra “alimento” tem sua etimologia no latim alimentum, que por sua vez deriva do verbo alere, que significa “nutrir”, “alimentar” ou “fazer crescer”. Essa raiz latina carrega a ideia de substância que nutre e sustenta a vida. Você não iria acreditar no tanto que ela, a vida, sustenta a vida — risos.

“A verdadeira sabedoria é aceitar o incontrolável”

— S ê n e c a

Caminhei pela casa e presenciei ela sussurando uma receita esquecida de Bolinho de chuva para uma mãe sem dinheiro para comprar lanches no fast food, cujos filhos pediam “algo gostoso”. Era fim de tarde, quase noite e a mãe – empolgada pela possibilidade de atender seus filhos sem comprometer o orçamento da casa – fez um prato cheio dessas gostosas gotinhas de chuva, daquelas bem rechonchudas e molhadinhas por dentro. Ninguém esperava!

Visitei outra cidade e a vi, serena, saindo de fininho e convencendo uma neta a entregar um buquê de flores à avó semi acamada em um dia de muita dor. Quem, feliz e esquecendo das dores por alguns minutos, conseguiu se levantar sozinha para colocar água em seu jarro favorito.

— Que lindas, flores! Minhas favoritas — Ela disse. Seus olhos brilhavam.

Cansei de andar por ai mas ouvi, na chamada de vídeo de um celular a tal da Vida, travessa, fazendo um vendaval na comunicação de uns parentes. Começou uma grande lavação de roupa suja! A família que há anos estava sem se falar, agora cá está: brigando. Contudo, juntos buscam uma solução que os faça conviver, amar e partilhar novamente. Não sei bem o desfecho, mas que eles estão se falando estão!

Ah, vida… eu vi diante dos meus olhos. Foi você também que fez um menino que não sabia ler soletrar seu nome em gestos, no alfabeto dos surdos, como mágica e se sentir capaz e inteligente, como há muito não sentia, pelas trocas maldosas com os coleguinhas de classe. Que habilidade é essa que você tem de fazer as coisas transmutarem? Quer dizer, quando você age eu nunca sei o que é possível.

Era uma quinta-feira. Lembra quando você fez uma menina que achava que estava no comando de tudo (como pode? nem 30 anos ela tinha) ficar sem andar e operar a coluna? Puxa, eu achei que passou dos limites, até para você. Daí, você me mostrou essa mesma mocinha recuperada, andando a passos tronchos, tortos e errôneos, lutando contra a resistência da água e eu sorri. Olhei para trás e a vi sorrindo também.

Nossa, sem falar nos desafios que você cria. De onde você tira tanta criatividade, sério?

Você deu vida a um escritor que dirigiu um filme em que é possível que as mãos das pessoas sejam salsichas, digo, literalmente. Isso não é uma metáfora, alegoria ou seja lá qual for a figura de linguagem que seja possível transmitir isso.

Talvez seja dai que resulta muitas das questões que temos contra você. Queremos ter este mesmo dom de criar um leque de infinitas possibilidades, ao mesmo tempo, o tempo todo a cada micro decisão tomada. Mas vida, este é um dom só seu. Veja, você deve nos alertar que machuca querer ser o outro. Qurer um dom e um sentido que não o seu.

Vida, nós já somos amigos há algum tempo. Deixe-me falar agora, não me venha com outro desafio. Dê-me cinco minutos, é importante.

Use sua força para mostrar as pessoas sua própria vida — mesmo que elas estejam hipnotizadas com a sua habilidade — aquela que reside no guarda-chuva dos cílios molhados. Isso mesmo, destes cobertos de lágrimas. Fruto da emoção do alimento que consumiram em primeiro lugar. Este, que encontrou um espacinho, bateu no peito e disse:

— É aqui. Posso desatar os nós, desfazer-me dos sapatos, largas as malas. Estou na vida onde devo estar. — Nesse momento, ela olhou-me confusa.

— Mas elas não se acomodarão neste lugar, menina? — Respondeu-me, a expressão séria.

— Ai, vida. Você nunca me deixa terminar de falar. Na verdade, é preciso sim que elas encontrem essa vida e repousem neste paraíso. Do contrário, de onde tirariam forças para ajudar o próximo a encontrar este lugar também? É como diz o povo: “palavras convencem, exemplos arrastam!” — Expliquei, com energia, gesticulando no ar.

— Então, você deseja que eu as conceda o caminho até essa vida para que elas construam caminhos para os seus pares? — Ufa, ela entendeu.

— É isso — continuei. — Veja, ninguém consegue nada sozinho, nem mesmo você. Mas juntos, UAU, veja que obra incrível faríamos. Você dará caminho até o alimento da alma e nós, desta vez realmente nutridos, corpo, mente e espírito, compartilhá-lo-emos com todos que pudermos até que você nos visite mais uma vez e diga: Está na hora. Uma nova vida o espera.

O filme acabou e eu aprendi com aquele chef que sim, no dia a dia reside o tempero da vida. E esta, tem sim uma receita de bolo. Todavia, o CHATGPT também me ensina, quando pergunto:

— Chat, é possível saber quantos tipos de receita de bolo existem no mundo?

— Pergunta excelente — e mais complexa do que parece 😄

👉 Em resumo:
Não há um número exato nem estimado oficialmente de quantos tipos de receitas de bolo, salgado e doce existem no mundo (…) dá pra te dar uma análise bem fundamentada com base em dados culturais, gastronômicos e estatísticos. Dizem que existe “a receita certa”, mas, na verdade, há mais de cento e quarenta mil maneiras de misturar farinha, açúcar e sonho e todas podem dar certo, se forem feitas com intenção. — É chat, quanta sabedoria humana você tem para uma inteligência artificial.

O que o Chat quis dizer é que talvez você seja aquele que segue à risca a receita do livro, ou aquele que improvisa com o que tem em casa.
Há quem prefira o bolo simples, morno e com café; outros buscam o mais elaborado, cheio de camadas e cobertura brilhante.
Mas todos estão, no fundo, tentando fazer o mesmo: dar sabor ao tempo que passa.

A receita da vida até existe — mas não é uma só.
Ela depende da temperatura do seu forno, do tipo de farinha, do quanto você mexe a massa e, principalmente, do amor que coloca no processo.

Se errar o ponto, não tem problema.
Basta tentar de novo, ajustar o fermento, e descobrir que a graça não está em acertar sempre, e sim em descobrir qual bolo você nasceu pra assar e, é claro, compartilhar.

A vida te deu os ingredientes — agora é com você. O que falta pra começar a misturar?

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@juliasporto

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Julia Porto

Pensamentos Avulsos

Na ausência, quem somos?

O ano era 2004.

— Esse “J” está muito grande, filha. Faz de novo, deixa eu ver.
Mamãe dizia, enquanto lavava o pano de prato na pia de mármore, e eu treinava numa folha A4 a caligrafia do meu nome. Mostrava-lhe o resultado, orgulhosa. No ambiente, o rádio Panasonic tocava bem alto Amor e Sexo, de Rita Lee. Minha mãe cantava animada, ainda esfregando o pano encardido do trabalho. Eu a acompanhava na cantoria, rindo, balançando os pés.

Hoje, me vejo ouvindo a Alexa na cozinha, ecoando 50 receitas, de Leoni, enquanto repouso na cama após uma cirurgia na coluna. Sou obrigada a interromper a leitura: o efeito déjà vu é intenso. Como na infância, dona Glória ainda canta enquanto cuida da casa. Ouço-a arrumando as compras recém-chegadas do supermercado, cantando a plenos pulmões.

Desde que me lembro, Maria da Glória — nome dado em homenagem à Nossa Senhora da Glória — sempre trabalhou fora. Era comum sair cedo para a escola e ela já não estar em casa. Ao voltar, ainda não havia chegado: só aparecia à noitinha, no servir do jantar, que por tradição e ordem do meu pai acontecia sempre à mesa, sem distrações, apenas nós em família. No fim de semana, no entanto, a história mudava: mamãe acordava cedo para lavar roupa, faxinar a casa e conversar sobre nossa semana.

De súbito, percebo: é comum nos sentirmos vazios. Solitários, mesmo rodeados de gente. Ao longo do dia. Das semanas. Dos meses. Das festas. Essa consciência não é doce — pelo contrário. Fernando Pessoa já disse:

“Pensar incomoda como andar à chuva. Quando o vento cresce e parece que chove mais”.

pessoa, fernando. poemas completos. são paulo, saraiva (2007).

Em repouso, há em nós um caleidoscópio de pensamentos. Já reparou? Recordo de uma conversa em que expliquei à minha namorada que me considerava workaholic — Será que você é viciada em trabalho ou está fugindo de si mesma?  perguntou. Resolvi morar nos versos de Pessoa, fugi para a chuva, corri para o pensar, fui pega pegas gotas pesadas trazidas pelo vento. Estar presa à cama e de repouso mostrou-me que a força com que continuamos a caminhar no dia a dia repousa, inevitavelmente, no amor pelo inefável cotidiano. A anedota está aí: “inefável” tanto nomeia aquilo que nos encanta e dá prazer quanto aquilo que não sabemos descrever, tamanha sua força e beleza. Desde que retornei à minha cidade natal, esse pout-pourri de sabedoria que habita o dia a dia me arrebata a fronte, tira-me o ar como uma maratona. Estou afastada do trabalho por trinta dias e, na ausência dele, quem sou? A tia que embala os lanches? A filha que precisa dos pais depois de uma cirurgia? A paciente sob ordens médicas de repouso extremo? Não. Existe algo aí, enterrado no profundo do ser. Algo que permeia tanto o labor de Sísifo¹ — dormir, acordar, comer, estudar, trabalhar, se relacionar — quanto a ataraxia da alma: a serenidade que nasce da ausência de inquietações.

Talvez quem somos afastados do lugar de onde deveríamos estar seja isso: aprender a existir sem a definição de rótulos, etnias, cargos ou conquistas. É poder habitar a simplicidade de ser, como quem canta distraído lavando um pano de prato ou repousa no silêncio de um quarto. Não se trata de reinventar-se todos os dias, mas de recordar que, por trás de todos os papéis, há uma essência que permanece. E é nessa essência que encontramos o verdadeiro sentido da vida: sermos quem somos, sem adornos, sem medo, simplesmente.

O cotidiano é um palco pequeno, mas infinito: nele cabem nossas dores, nossas memórias e nossas alegrias. Autenticidade na ausência não é um destino grandioso, mas o gesto singelo de não fugirmos de nós mesmos. É descobrir, mesmo entre as cicatrizes, que o amor pelo ordinário nos sustenta. Que somos mais do que pacientes, filhos, profissionais ou amantes. Somos o sopro que insiste, a chama que permanece — e, talvez, seja nisso que a existência encontra o seu sentido… em quão humano somos.

A vida não nos pede grandes façanhas todos os dias, mas nos pede presença. Ser, no fundo, é isso: dar-se inteiro àquilo que se propõe a fazer, seja no repouso ou na luta, no trabalho ou na quietude. Se não sabemos ao certo quem somos sem os rótulos, talvez seja porque autenticidade, este eterno viver, não é uma resposta pronta — é uma busca. Uma escolha diária de viver como somos, mesmo quando o mundo (ou nós mesmos) espera que sejamos outra coisa.

Eu aconselho as pessoas a pensarem: no final da sua vida, quem é o ser humano que você quer ser? Qualidades que quer ter desenvolvido. Os defeitos que quer ter polido.
— Lúcia Helena Galvão


¹ Na mitologia grega, Sísifo foi condenado pelos deuses a rolar uma enorme pedra montanha acima, apenas para vê-la despencar toda vez que se aproximava do cume, sendo obrigado a repetir a tarefa por toda a eternidade. O mito simboliza a repetição incessante e, muitas vezes, a aparente inutilidade das ações humanas, mas também pode ser interpretado — como fez Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942) — como metáfora da condição humana: ainda que a vida seja marcada pela rotina e pela inevitabilidade da morte, é na consciência e na aceitação desse esforço que podemos encontrar liberdade e sentido.


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Pensamentos Avulsos

O Relógio e o Humano: A sabedoria das pausas.

“O homem que move montanhas começa carregando pequenas pedras.”

— Confúcio.

A metáfora do relógio nos direciona para a necessidade de atenção aos detalhes, como o relojoeiro ajustando parafusos quase invisíveis. Assim também são nossos próprios ajustes internos — pequenos, mas decisivos.

A NATUREZA COMO MECANISMO DE REGULAÇÃO DO NOSSO RELÓGIO INTERNO.

Para ver o post da foto na íntegra acesse meu instagram.

@juliasporto

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Julia Porto

O relógio

mecânico, tal como o conhecemos hoje com seus ponteiros marcando as horas, nasceu na Europa medieval, entre os séculos XIII e XIV. Este relógio analógico é feito de sistemas delicados de engrenagens, molas, rubis sintéticos, balanços e parafusos minúsculos. O ser humano também é composto por mecanismos internos sofisticados. Há em nós, uma engenharia sutil que rege o sono, a criatividade, a paciência, a força de decisão e até a capacidade de amar. O avanço desses sistemas levou ao nascimento de uma nova profissão altamente especializada: o relojoeiro. Isto é, aquele que identifica quando esses sistemas estão em descompasso. Esse profissional  nos mostra que essa incongruência faz tempo da vida perder seu ritmo — ficamos adiantados, ansiosos, ou atrasados, paralisados.

Na relojoaria, é comum que um relógio, mesmo sem estar visivelmente quebrado, precise de pausas para revisão e manutenção. O relojoeiro desmonta cada parte, limpa o acúmulo invisível de impurezas, lubrifica as junções, ajusta o balanço. Só então o tempo volta a fluir com precisão. Com o ser humano, é a mesma coisa — mas muitas vezes, não sabemos ou não queremos parar. Seguimos rodando no automático, mesmo rangendo por dentro.
A sociedade contemporânea, no entanto, oferece pausas que mais aceleram do que restauram: shopping centers barulhentos, compras impulsivas, telas e notificações, uma cultura de consumo disfarçada de lazer. São pausas que não nos desafivelam do ruído — apenas o maquiam. Elas nos distraem do cansaço, mas não o curam.

O descanso

verdadeiro é outro. Ele não brilha em vitrines, não pulsa em LED. Está nas trilhas silenciosas, no barulho da água batendo em pedras, no cheiro de mato depois da chuva, no vento salgado das praias vazias. Está também no sofá de casa, no silêncio de uma manhã sem obrigação, na leitura lenta, no diário escrito à mão. Nestes lugares, não fazemos nada — e ao mesmo tempo, tudo se rearranja. É como se a própria natureza fosse o relojoeiro que nós não conseguimos ser para nós mesmos.


O corpo sabe. A alma escuta. E ali, sem pressa, as molas se soltam, os rubis internos voltam a brilhar, os parafusos se assentam, e o balanço da vida reencontra seu compasso.

Fazer pausas não é um luxo. É manutenção. E não qualquer pausa — mas aquelas que nos reconectam com o que temos de mais essencial: o silêncio, o espaço, a natureza, o tempo sem cobrança. Assim como um relógio precisa parar para continuar marcando bem as horas, nós também precisamos parar para seguir vivendo com precisão, presença e propósito.

Conheça outros autores.

Abaixo, deixo alguns perfis que sigo no Instagram e que me ajudam a estar presente nessa constante manutenção interna do ser.

Lúcia Helena

@profluciahelenagalvao

Lucas Zappia

@lucas.neurofood

Madama

@br000na

Thais Godinho

@thaisgodinho.perfil

Pensamentos Avulsos

Refletir antes de Concluir: Um Exercício de consciência.

“O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor”. FAULKNER, William.

Já aconteceu de você chegar a conclusões caóticas, descompassadas e automáticas sem necessariamente ter refletido sobre a aplicabilidade ou a realidade daquilo? 

Comigo já. Mais vezes do que eu possa me enumerar ou tampouco lembrar. Esse post é sobre isso.

O papel da consciência

Durkheim, em uma de suas grandes obras, estudou a religião primitiva do sistema Totêmico, na Austrália, para responder uma pergunta central: quais são os elementos fundamentais da religião e qual a sua função social? Em outras palavras, quais são os elementos essenciais da religião? Para isso, ele reforça a importância de, antes de qualquer movimento, caminhar com o leitor ombro a ombro para alinhar, a fim de estarem na mesma página, o que deve ser entendido como religião. Porque, veja, como Durkheim poderia garantir que o leitor compreenderá quais as formas primitivas da religião se o conceito em si não está claro para quem embarcou na leitura? O mesmo se dá com a vida.

Com frequência, nos pegamos (muitas vezes inconscientes disso) julgando noções que se formaram em nós pelos revezes da vida. Isto é, pela interação social, criação familiar, escolaridade (ou ausência dela). Nesse sentido, alerta Durkheim: “essas pré-noções se formaram sem método, seguindo os acasos e encontros da vida, elas não têm direito a nenhum crédito e devem ser rigorosamente mantidas afastadas do exame que se seguirá”. 

Aqui, convido-lhe a refletir sobre situações que você esteja passando agora ou que, de alguma maneira, estejam mais próximas de você no momento. Quando você julga esses acontecimentos, que respaldo você tem? Onde você buscou informações sobre? Como você chegou a conclusão que chegou ou empacou na conclusão que deveria chegar? Estas, são perguntas fundamentais para questionar:

Seu estilo de vida.

Suas crenças.

O modo como você enxerga o mundo. 

Como você responde a uma interação com o outro.

Lembro como se fosse hoje quando estava na faculdade e ouvi pela primeira vez a frase “O ponto de vista cria o objeto”, de Fernand de Saussure. Ela não poderia ser mais simples e mais real. Porque, impreterivelmente, as coisas começam no plano das ideias e, a depender das ideias que residem em nossos pensamentos, enxergaremos o mundo de maneira diferente. Não podemos apagar essas ideias. Contudo, todos os dias estamos aptos a reescrevê-las internamente, expandindo nossa consciência.

Decisões Difíceis

Olhos: meus.

“Te vi em todos os cantos ou te levei por todos os cantos?”

— Ivyson

Uma das grandes invenções da vida moderna se chama streaming. Isto é, capacidade de transmitir conteúdo sem fazer download de nada.

Era domingo e lá estava eu, cozinhando e ouvindo músicas no streaming. De repente, uma música que eu não ouvia há algum tempo começou a tocar. Me dei conta de que já nem estava mais prestando atenção na comida porque a letra era tão… incisiva? real? crua? Não sei bem o melhor adjetivo para descrever, mas talvez ao ler um pedaço você, leitor, consiga me ajudar:

“Quando a saudade apertar
Lembra que a gente já foi amor
Exagerado, mas era amor (…)

Era amor
Tornou dor
E o tempo curou” — Girassóis, Ivyson.

Ao escrever este texto me dou conta do quanto a consciência do tempo é importante e do quanto ele normaliza diversas questões. Como a relação de amor (ou ausência dela) que dirigimos a nós mesmos. Talvez você me pergunte, o que isso tem a ver com a filosofia? Com a tal música Girassóis? Com streaming?

Porque a filosofia permite que mergulhemos em nós mesmos. À clareza, o bom julgamentos, os bons princípios e a boa saúde, como ensina o diário estóico. Antes do exacerbamento da tecnologia havia amor exagerado! Pelo discurso. Pela boa oratória. Pelas discussões. Pela política. Pela polis e pelo que representava ser um cidadão, pela prática das virtudes.

Que fizemos com esse amor?

Nos valemos do trânsito, do chefe “ruim”, da falta de dinheiro, do esgotamento mental, da inflação, dos vícios para dizer “Era amor”, não mais. Pior, entramos em estado de sofrimento profundo e o que era amor, torna-se dor não tratada, que acumula em nosso aparato biológico suscitando não só em doenças psicossomáticas como também problemas psicológicos críticos: burnout, crises de pânico, ataques de ansiedade. Mesmo depois de tudo isso, continuamos usando de subterfúgios para empurrar mais de tudo, pra dentro. Batemos no peito para dizer:

Jajá será sexta-feira e eu vou poder descansar!

Já vem o feriado de carnaval e eu vou poder curtir.

Vou tirar 15 dias de férias! Já reparou que quando voltamos parece que o trabalho triplica? e a quantidade de e-mails? é…. será que eu vendo minhas férias?

O tempo. cura. a dor. e o amor.

Nos lembremos de um coisa: nossos olhos são NOSSA responsabilidade. Foi Nietzche quem disse: “As circunstâncias objetivas poder ser as mesmas, nossa interpretação, percepção, orientação pode ser radicalmente diferente, e isso faz diferença”. Ao passar pela vida, deixe que seus olhos realmente vejam e tenham consciência do que acontece. Há quanto tempo você é carregado pelo tempo e não permite a si mesmo afagá-lo? Ele é como uma criança que cresce rápido e, há meses sem a ver, proclamamos: “Como esse menino cresceu!”.

Não permita. Teus olhos, tua responsabilidade.

Pensamentos Avulsos

Trabalho Organizado

Manterei constante vigilância sobre mim mesmo e – muito proveitosamente – submeterei cada dia a uma revisão. Porque é isso que nos torna maus – que nenhum de nós rememora a própria vida. Refletimos apenas sobre o que estamos prestes a fazer. Entretanto, nossos planos para o futuro provêm do passado.

Sêneca, Cartas MORAIS, 83.2

Já aconteceu mais de uma vez de alguém me perguntar: “Júlia, de onde você tira tanta energia?”

Nem sempre eu me senti assim. Produtiva, organizada, centrada. Me lembro perfeitamente de me olhar no espelho e sentir o peso do cansaço, observar os olhos fundos, as bolsas negras denunciando a privação de sono, erupções por todo o rosto devido ao estresse e pensar: meu deus, como é que eu vim parar aqui?

Quando eu tinha 16 anos, prometi a minha mesma que acharia meu propósito de vida. Isto é, minha missão pessoal. Há pessoas privilegiadas que sabem o que querem fazer desde criança. Eu? Enquanto escrevo este texto, 11 anos se passaram. Hoje, posso dizer que estou a 85% de encontrar esse bonito. Trabalho duro, comprometimento, desejo, sonhos, estudo. Sempre teve muita coisa envolvida mas nem sempre trabalho organizado. Foi Jacob Petry quem disse: “As pessoas que se destacam das demais, em algum momento, decidem definitivamente o que querem, quando o querem, por que o querem e como irão conseguir o que querem” (PETRY apud Hill 1928).

Por não ter meu trabalho organizado como deveria, eu bati cabeça por 11 anos.

Um pequeno parêntesis: entendo trabalho como todo esforço organizado em busca de um resultado desejado e não necessariamente a visão capitalista de trabalho remunerado. Nesse sentido, após ler e consumir bastante coisa da autora Thais Godinho (que inclusive é autora da frase ai de cima) entendo que trabalho bom pra alma, bom pra gente, bom pro mundo é trabalho coerente. Muitas vezes, por focar no conceito tradicional de trabalho incutido em nossa mente, nós não nos permitimos pensar no trabalho físico, intelectual, espiritual e emocional que precisamos exercer para encontrar coerência (por consequência) no trabalho formal, isto é, aquele cuja contribuição doamos ao Estado, ao Empresário, a si mesmo, seja quem for seu “chefe”.

Aqui, reforço duas coisas em que é importante canalizar sua energia nos anos que virão:

  1. Invista energia consciente no seu corpo físico, no seu intelecto (estudo), nas suas emoções (controle da mente) e no cultivo da sua espiritualidade (sua relação interdependente com o Planeta em que habita, independente de religião).
  2. Escolha o método de organização para trabalhar essas 4 esferas que melhor convém à sua realidade (a vida tem fases diferentes para cada um) e o siga.

No final do dia, é o tempo investido nos quatro pilares do item “1” que farão você seguir adiante.

Se são 4 pilares, dois itens e uma chuva de coisas para fazer, por onde eu começo, Julia? Aquele pulo do gato dos estóicos mais uma vez… “O círculo de controle contém apenas UMA COISA: sua mente.”

REFERÊNCIAS

HOLIDAY, Ryan. HANSELMAN, Stephen. Diário estóico. Rio de Janeiro, Editora intrínseca, 2022.

GODINHO, Thais. Trabalho organizado. São Paulo, Editora Gente, 2018.

PETRY, Jacob. As 16 leis do Sucesso. São Paulo, Faro Editorial, 2017

Pensamentos Avulsos, Decisões Difíceis

Ah, o amor.

Você diz que ama as flores e as corta.

Você diz que ama os peixes e os come.

Você diz que ama os pássaros e os prende em gaiola.

Quando você fala “eu te amo” eu sinto medo.

Jacques Prívert.

Uma das grandes alegrias de morar longe (a uma distância de um avião ou 10 horas de carro) daqueles que você ama – família e amigos – é recebê-los em casa depois de meses sem vê-los.

Num desses meses mais tranquilos no trabalho, meu melhor amigo ficou hospedado na minha casa e decidimos ir à Praia (vai esperar o que de dois cariocas há mais de 3 meses sem se ver, não é?). 

Reuni dois amigos que fiz em Vitória, cidade em que moro no momento em que escrevo esse texto, eles se juntaram a nós no evento praia (se você é natural do Rio de Janeiro sabe do que estou falando) e arrumando as coisas para sairmos de casa descobrimos que só tínhamos uma única canga, para 4 pessoas. Pensei e disse: “Bom, posso levar meu tapete de yoga”. Todos gostaram da ideia e lá fomos nós, pedir um uber.

A manhã seguiu. Chegamos na praia cedo e então começa aquele ritual de protetor solar, arrumar roupa na mochila, procurar o melhor local etc. Feito tudo, meu amigo foi mergulhar e eu, estiquei meu tapetinho na areia. Quando eu ia pegar sol, vejo meu amigo retornando e conversando com um rapaz, convidando-o para sentar conosco. A primeira coisa que ele pergunta: “Esse tapetinho é de quem?”

Respondi que era meu e dali para frente, conversamos amenidades até que ele vira e fala, todo empolgado: “Eu sou professor de yoga, eu pensei em trazer meu tapete para praia mas eu ainda vou fazer uma trilha para ver o pôr do sol mais tarde”. Depois do baque inicial, porque, gente, alguém tem dúvida que a lei da atração existe e funciona? 

Nós praticamos yoga juntos por mais de uma hora, o que foi incrível porque eu nunca tinha praticado outdoor, ao ar livre. No fim do dia, já em casa, um filme passou pela minha cabeça.

Em 2018 eu tive uma pequena lesão na coluna (uma fissura entre as vértebras L4 e L5) que fez o ortopedista me proibir de praticar exercícios de impacto por 1 ano. Isso porque eu tinha tanto medo de amar e me conectar com as minhas emoções que eu forcei meu corpo ao limite do limite a ponto do médico, na consulta de diagnóstico da ressonância magnética me perguntar: “Você quer mesmo operar a coluna antes dos 20 anos?” O que eu deixei passar para chegar nesse ponto? Eu me perguntava. A resposta: Amor.

Minha preocupação é esta: Qual o impacto do amor que direcionamos (ou deixamos de direcionar) a nós mesmos? Ou pior, quando no meio deste jogo do amar a si mesmo, descobrimos que nunca o fizemos? 

Spoiler alert: Esse foi o meu caso. 

Há alguns anos eu luto com a cobrança interna de ser apaixonada por algo que eu queira trabalhar para o resto da vida, o que me levou a criar o Felicidade estóica. Descobri na jornada que o amor genuíno é um exercício diário, como o artista modelando uma nova peça do zero, peça esta que sobrevive às intempéries da vida: chuva, sol, tristeza, perigo, ameaça, boletos haha. Contudo, de tempos em tempos, se você ainda não o fez, é necessário colocar a placa “fechado para reforma” para que possamos nos conectar com aquilo que na essência nos faz feliz e iniciar o trabalho duro. Colocar a mão na massa.

Fonte: https://pt.slideshare.net/slideshow/esculpindo-a-vida/31057244

Seja lá o que for que você vem lutando e se digladiando (sim, você com você mesmo)…a resposta está aí! Debaixo desse monte de pedra. 

Aqui vai uma lista de martelos e cinzéis que me ajudaram e que também podem te guiar nessa jornada linda:

  • Terapia
  • Exercício físico
  • Journalling 
  • Meditação
  • Yoga
  • Aprender a tocar um instrumento
  • Ler poesia
  • Se desafiar em períodos sem recompensas rápidas + inserir recompensar de longo prazo. Alguns exemplos:
  • 90 dias sem cigarro, bebida, refrigerante, sexo, masturbação, pornografia, ir a bares, comer açúcar refinado, dormir com a televisão ligada, apostar, pedir comida por aplicativo etc.
  • 90 dias usando os finais de semana para ir fisicamente na natureza, se expor ao sol ao acordar, ligar em vez de mandar mensagens, desligar todas as notificações, não usar celular ao deitar na cama, cozinhar suas próprias refeições. 

Não existe receita de bolo. Meu desejo? 

Que ao ouvir o homem falando “eu amo” sintamos todos orgulho e não medo. 

Pensamentos Avulsos

O que é o estoicismo?

Afinal, o que é o estoicismo?

A filosofia que transforma lagartas em borboletas.

Imagine uma lagarta.
Durante boa parte de sua vida, ela rasteja compulsivamente em busca de alimento, crescendo sem parar, sem jamais questionar para onde está indo.
Um dia, algo muda. Um chamado interno a faz parar. Ela se recolhe. Silencia.
Constrói seu casulo — escuro, apertado, solitário.
E ali, no mais absoluto recolhimento, ela começa a se desfazer.
Sua antiga forma se dissolve para dar espaço ao que ainda não existe, mas que já estava inscrito em sua essência:a borboleta.

Essa é uma imagem poderosa para entender o que é o estoicismo.

Criado na Grécia Antiga, o estoicismo é uma filosofia prática, não apenas para pensar o mundo, mas para viver bem dentro dele, mesmo — e especialmente — quando ele se torna caótico. 

Somos levados a crer que a felicidade está lá fora: num novo cargo, numa nova conquista, na próxima notificação. E então vem a ansiedade. A frustração. O vazio. 

Essa filosofia nos ensina que não controlamos o mundo — apenas nossos pensamentos, escolhas e reações. Enquanto a cultura moderna diz: “Você só será feliz quando tiver tudo”,
o estóico diz: “Você será feliz quando precisar de pouco.”

Os pilares do estoicismo são simples, mas poderosos:

  • Distinguir o que está sob nosso controle do que não está.
  • Aceitar o destino com serenidade. (Amor fati)
  • Viver segundo a razão, a virtude e a natureza.
  • Exercitar a gratidão, a presença, a firmeza diante da adversidade.

O estoicismo não promete uma vida fácil, mas uma mente forte o suficiente para atravessá-la com integridade.