O que o Rei de Copas e Eileen Gu ensinam sobre o Ego
A arte de sentir a imensidão do mundo sem
se deixar afogar pelas expectativas alheias.

Por que o Rei de Copas?
Recentemente uma amiga me indicou um novo podcast que, todos os dias, traz uma carta de tarot para “guiar nosso dia” com sua sabedoria. Neste dia em questão, aprendi que existe uma imagem no Tarot que define a maturidade: um rei sentado em um trono que flutua sobre o oceano. Pesquisei várias imagens no Google e a maioria das representações traz esse cenário do trono sobre as águas e o rei lá… governando sereno. Observa-se que ele não tenta segurar as ondas, nem ordena que o mar se acalme. Ele apenas permanece. Com isso, cheguei a conclusão que o Rei de Copas é o símbolo máximo de quem sente tudo, mas não é governado por nada. Ele entende que as emoções são o clima, mas ele é a montanha que frente a elas não se abala.

Rei de Copas. Qual a relação com Eileen Gu?
A leitura do tarot me fez recordar um episódio recente das Olimpíadas 2026 em que Eileen Gu, a esquiadora mais premiada da história enquanto escrevo esse texto, foi questionada por um repórter de forma subjugante, a respeito de suas duas medalhas de prata olímpicas serem um “fracasso”. Como acontece com frequência — principalmente com mulheres –, naquele momento o mundo tentou impor à atleta uma narrativa de insuficiência. Em contrapartida, Gu respondeu com a clareza de quem habita o próprio trono, como o Rei de Copas: “sonhos e conquistas nunca são fracassos”, disse ela.
Da perspectiva estóica, achei muito interessante o que Eileen compartilhou. Ela demonstrou, sabiamente aos 22 anos, o que Marco Aurélio escreveu há quase dois mil: “Não deverias dar às circunstâncias o poder de despertar raiva em ti, porque elas não se importam nem um pouco”. O repórter, a crítica ou a expectativa do público são apenas isso; “circunstâncias”. Elas não têm consciência. O universo não está conspirando para nos humilhar, nem para nos aplaudir.
Ele apenas é.
A Ontologia¹ da nossa Insignificância
Se você não viu a entrevista com a atleta Eileen Gu, vou deixar o link aqui no post. Resumidamente, ela explanou sobre como ela gosta de praticar o exercício de “se afastar de si mesma”, isto é, olhar em terceira pessoa o que acontece internamente (pensamentos) para que ela possa usar o conceito de neuroplasticidade² ao seu favor. Quem dera todos tivéssemos esse hábito poderoso (ou apenas desejássemos construí-lo)! Observo que, via de regra, nosso comportamento natural é adular nosso ego. Esse jovem que adora acreditar que os eventos ocorrem em um nível pessoal. Resultado? Sentimos o “peso do mundo” como se fôssemos o centro dele… Daí talvez tanta ansiedade, depressão. Mas a ciência nos oferece um banho de realidade ontológica que, em vez de nos diminuir, pode ajudar a nos libertar.
Pense comigo:
Somos um recorte (ênfase no um) microscópico da espécie Homo sapiens (ultrapassou 8 bilhões em 2022);
Uma espécie entre milhões de outras espécies em um planeta rochoso chamado Terra;
Orbitando um Sol ordinário em uma galáxia, a Via Láctea, que é apenas uma entre centenas de bilhões no universo observável.
Quando olhamos para essa escala, a pergunta “o que pensarão de mim?” perde o oxigênio. Como Viktor Frankl sugeriu em sua busca por sentido: talvez exista uma dimensão além da humana onde o sofrimento encontra resposta — mas, enquanto estamos aqui, a resposta é a autotranscendência.
Praticar o ser em vez do ter.
Tenho cada vez mais praticado a arte de deliberar sobre o fato de que não precisamos passar pelo mundo com a ansiedade de produzir algo “avassalador” para o olhar do outro. O verdadeiro ato avassalador é a prática de se tornar um ser humano melhor. Destarte, contribuir para que o universo em que estamos inseridos também o seja. Como diz costumeiramente a professora Lúcia Helena Galvão em suas palestras: quando um ser humano se eleva, toda a humanidade se eleva com ele.
Aumentar nosso grau de humanidade exige domínio de nossas emoções. É certo que, na prática, o cenário que vemos é do homem, de maneira geral, reprimindo-as. Após essa leitura, meu convite é que você se permita sentir antes de agir. A água bater nos pés, o que uma notificação provoca no seu corpo, a energia da sua casa, o que você pensa quando está com quem ama. É reconhecer a força da correnteza, mas recusar-se a ser arrastado por ela. É entender que se fisicamente³ falando o universo é vasto, grandioso e indiferente ao indivíduo. Ele é o todo. Nossa única obrigação real é com a integridade da nossa própria consciência. Por conseguinte, dos nossos atos.
Viver de forma autotranscendente é saber que você é um ponto minúsculo no cosmos, mas que esse ponto tem a capacidade única de contribuir à imensidão sem perder a humanidade no meio do processo.
¹ A ontologia, ramo fundamental da metafísica na filosofia, é o estudo do ser enquanto ser, investigando a natureza da existência, realidade e as categorias do que existe. Ela questiona o que constitui a realidade, diferenciando seres materiais e imateriais, e busca compreender os fundamentos do ser, suas propriedades e relações.
² Neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, é a capacidade do cérebro de se reorganizar, adaptar e formar novas conexões neuronais ao longo da vida em resposta a experiências, aprendizados, mudanças ambientais ou lesões. Diferente da antiga crença de que o cérebro adulto é fixo, ele se modifica continuamente, fortalecendo ou enfraquecendo sinapses e até gerando novos neurônios (neurogênese).
³ Isto é, do ponto de vista da Física enquanto ciência. A física é a ciência natural que estuda os fundamentos do universo: matéria, energia, espaço e tempo. Ela utiliza observações, experimentos e modelos matemáticos para explicar fenômenos, abrangendo desde partículas subatômicas até escalas cosmológicas.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Rita. A energia dos Arcanos. Disponível em: <https://open.spotify.com/show/0ot7WVjWUW08UXcaXnXd2Z?si=8b5a8fee1b6245f2>. Acesso em 23 de fevereiro de 2026.
FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis: Vozes, 2025, 68ª Edição.
GU, Eileen. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/DVGvVbTgfk6/>. Acesso em: 25 de fevereiro de 2026.


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