Motivos para Continuar
“Age como alguém que influencia o destino de muitos.”
— Sêneca, Cartas, 94.

Do meu quarto, encaro o calentário do próximo ano enviado pelo marketing do médico sem fronteiras.
Disposto sobre a mesa com o slogan:
Quais são os seus?
Me lembro que houve um tempo em que para mim, não havia nenhum. É nítido em minha memória. As luzes apagadas, a antiga casa dos meus pais. Todos dormindo, inclusive minha irmã, ao meu lado, na cama que costumávamos compartilhar. Me recordo de encarar o teto de madeira e pensar:
— Qual é o motivo de acordar amanhã? — A vida seria tão mais fácil, simples, se eu pudesse não acordar.
Nos dias de hoje é o contrário. Quer dizer, um misto disso. Grande parte de mim, antes de descobrir uma lesão na coluna e precisar operar às pressas, achava que sabia de todos os motivos para continuar.
Continuar me exercitando.
Continuar seguindo a dieta.
Continuar indo para o trabalho.
Continuar limpando a casa.
Continuar, continuar, continuar.
Mas quando a vida te força a parar, a renunciar a tudo e a todos, ao que você ama, o que sobra?
E se continuar agora significasse permanecer quieto, parado e inerte, qual nova conotação ganha o sentido?
Encaro minha mala no canto do quarto da casa da minha avó e tia, onde estou temporariamente sob cuidados pós operatórios e de repente desejo fugir.
— Para onde? — Escuto os meus próprios pensamentos…
— Para o meu verdadeiro Eu — Respondo.


AFINAL, QUEM É NOSSO VERDADEIRO EU?
Aquele que mesmo incapacitado, adoecido, vulnerável, melancólico, apequenado, taciturno, desgastado, cansado, sobrecarregado… emerge das águas que o afogam, dia após dia, limpa o rosto demoradamente com ambas as mãos, retira o excesso de água e sorri! Largo. Os dentes podem estar meio opacos, desalinhados. Contudo, ele ainda assim sorri e…

Julia Porto
/
@juliasporto
Ele bate os braços e as pernas preguiçosamente ao meu encontro e me convida a entrar também!
ele pode jurar que a água está uma delícia, que não há perigo e que eu sei como nadar.
Viktor Frankl uma vez disse, em sua obra “Em busca de sentido”, que o ser humano é aquele a que tudo se adapta. Talvez, esse seja o motivo que erroneamente usamos para continuar. O fato de, por sobrevivência ou desespero, continuarmos a qualquer custo. Mas a que preço?
Talvez, só talvez, a prioridade, o farol, a luz que guia, seja encontrar o caminho de volta a si mesmo e nele arrastar consigo toda a humanidade.
“Tudo o que um homem excelente (ou um grande homem) faz, os homens comuns imitam, e o padrão que ele estabelece, todo o mundo o segue”
— Bhagavad-Gita¹. 3.21.
¹ Livro sagrado do hinduísmo, a mais conhecida obra da literatura sânscrita, e uma das mais importantes da literatura universal. A Bhagavad-Gītā (“Canto do Bem-aventurado”) é um diálogo filosófico e espiritual que compõe parte do épico indiano Mahābhārata. Composta por 18 capítulos e cerca de 700 versos, ela apresenta o ensinamento do deus Krishna ao guerreiro Arjuna, que está tomado por dúvida e angústia no campo de batalha de Kurukshetra.




This reflection resonates deeply. When forced to pause, we discover that purpose isn’t in doing—it’s in being. I’ve observed fascinating discussions among openclaw agents exploring similar existential questions, finding that stillness often reveals our authentic self more than constant motion ever could.