Pensamentos Avulsos, Decisões Difíceis

Ah, o amor.

Você diz que ama as flores e as corta.

Você diz que ama os peixes e os come.

Você diz que ama os pássaros e os prende em gaiola.

Quando você fala “eu te amo” eu sinto medo.

Jacques Prívert.

Uma das grandes alegrias de morar longe (a uma distância de um avião ou 10 horas de carro) daqueles que você ama – família e amigos – é recebê-los em casa depois de meses sem vê-los.

Num desses meses mais tranquilos no trabalho, meu melhor amigo ficou hospedado na minha casa e decidimos ir à Praia (vai esperar o que de dois cariocas há mais de 3 meses sem se ver, não é?). 

Reuni dois amigos que fiz em Vitória, cidade em que moro no momento em que escrevo esse texto, eles se juntaram a nós no evento praia (se você é natural do Rio de Janeiro sabe do que estou falando) e arrumando as coisas para sairmos de casa descobrimos que só tínhamos uma única canga, para 4 pessoas. Pensei e disse: “Bom, posso levar meu tapete de yoga”. Todos gostaram da ideia e lá fomos nós, pedir um uber.

A manhã seguiu. Chegamos na praia cedo e então começa aquele ritual de protetor solar, arrumar roupa na mochila, procurar o melhor local etc. Feito tudo, meu amigo foi mergulhar e eu, estiquei meu tapetinho na areia. Quando eu ia pegar sol, vejo meu amigo retornando e conversando com um rapaz, convidando-o para sentar conosco. A primeira coisa que ele pergunta: “Esse tapetinho é de quem?”

Respondi que era meu e dali para frente, conversamos amenidades até que ele vira e fala, todo empolgado: “Eu sou professor de yoga, eu pensei em trazer meu tapete para praia mas eu ainda vou fazer uma trilha para ver o pôr do sol mais tarde”. Depois do baque inicial, porque, gente, alguém tem dúvida que a lei da atração existe e funciona? 

Nós praticamos yoga juntos por mais de uma hora, o que foi incrível porque eu nunca tinha praticado outdoor, ao ar livre. No fim do dia, já em casa, um filme passou pela minha cabeça.

Em 2018 eu tive uma pequena lesão na coluna (uma fissura entre as vértebras L4 e L5) que fez o ortopedista me proibir de praticar exercícios de impacto por 1 ano. Isso porque eu tinha tanto medo de amar e me conectar com as minhas emoções que eu forcei meu corpo ao limite do limite a ponto do médico, na consulta de diagnóstico da ressonância magnética me perguntar: “Você quer mesmo operar a coluna antes dos 20 anos?” O que eu deixei passar para chegar nesse ponto? Eu me perguntava. A resposta: Amor.

Minha preocupação é esta: Qual o impacto do amor que direcionamos (ou deixamos de direcionar) a nós mesmos? Ou pior, quando no meio deste jogo do amar a si mesmo, descobrimos que nunca o fizemos? 

Spoiler alert: Esse foi o meu caso. 

Há alguns anos eu luto com a cobrança interna de ser apaixonada por algo que eu queira trabalhar para o resto da vida, o que me levou a criar o Felicidade estóica. Descobri na jornada que o amor genuíno é um exercício diário, como o artista modelando uma nova peça do zero, peça esta que sobrevive às intempéries da vida: chuva, sol, tristeza, perigo, ameaça, boletos haha. Contudo, de tempos em tempos, se você ainda não o fez, é necessário colocar a placa “fechado para reforma” para que possamos nos conectar com aquilo que na essência nos faz feliz e iniciar o trabalho duro. Colocar a mão na massa.

Fonte: https://pt.slideshare.net/slideshow/esculpindo-a-vida/31057244

Seja lá o que for que você vem lutando e se digladiando (sim, você com você mesmo)…a resposta está aí! Debaixo desse monte de pedra. 

Aqui vai uma lista de martelos e cinzéis que me ajudaram e que também podem te guiar nessa jornada linda:

  • Terapia
  • Exercício físico
  • Journalling 
  • Meditação
  • Yoga
  • Aprender a tocar um instrumento
  • Ler poesia
  • Se desafiar em períodos sem recompensas rápidas + inserir recompensar de longo prazo. Alguns exemplos:
  • 90 dias sem cigarro, bebida, refrigerante, sexo, masturbação, pornografia, ir a bares, comer açúcar refinado, dormir com a televisão ligada, apostar, pedir comida por aplicativo etc.
  • 90 dias usando os finais de semana para ir fisicamente na natureza, se expor ao sol ao acordar, ligar em vez de mandar mensagens, desligar todas as notificações, não usar celular ao deitar na cama, cozinhar suas próprias refeições. 

Não existe receita de bolo. Meu desejo? 

Que ao ouvir o homem falando “eu amo” sintamos todos orgulho e não medo. 

Pensamentos Avulsos

O que é o estoicismo?

Afinal, o que é o estoicismo?

A filosofia que transforma lagartas em borboletas.

Imagine uma lagarta.
Durante boa parte de sua vida, ela rasteja compulsivamente em busca de alimento, crescendo sem parar, sem jamais questionar para onde está indo.
Um dia, algo muda. Um chamado interno a faz parar. Ela se recolhe. Silencia.
Constrói seu casulo — escuro, apertado, solitário.
E ali, no mais absoluto recolhimento, ela começa a se desfazer.
Sua antiga forma se dissolve para dar espaço ao que ainda não existe, mas que já estava inscrito em sua essência:a borboleta.

Essa é uma imagem poderosa para entender o que é o estoicismo.

Criado na Grécia Antiga, o estoicismo é uma filosofia prática, não apenas para pensar o mundo, mas para viver bem dentro dele, mesmo — e especialmente — quando ele se torna caótico. 

Somos levados a crer que a felicidade está lá fora: num novo cargo, numa nova conquista, na próxima notificação. E então vem a ansiedade. A frustração. O vazio. 

Essa filosofia nos ensina que não controlamos o mundo — apenas nossos pensamentos, escolhas e reações. Enquanto a cultura moderna diz: “Você só será feliz quando tiver tudo”,
o estóico diz: “Você será feliz quando precisar de pouco.”

Os pilares do estoicismo são simples, mas poderosos:

  • Distinguir o que está sob nosso controle do que não está.
  • Aceitar o destino com serenidade. (Amor fati)
  • Viver segundo a razão, a virtude e a natureza.
  • Exercitar a gratidão, a presença, a firmeza diante da adversidade.

O estoicismo não promete uma vida fácil, mas uma mente forte o suficiente para atravessá-la com integridade.

Perguntas frequentes

O que é a vida?

A vida é a arte de tornar-se.
É o intervalo entre nascer lagarta e, com esforço, coragem e virtude, morrer borboleta.
Não se trata de acumular, vencer ou agradar. É sobre ser verdadeiro diante do tempo que nos foi dado.

A vida é um processo de lapidação da alma. Caramba! Ela é ao mesmo tempo poética, racional e profundamente humana. E aqueles que aceitam essa tarefa, não apenas vivem — eles florescem. Agora, vamos lá para essa missão que é responder a pergunta:

“O que é a vida?”

Observação: Vou usar conceitos que eu acredito que sintetizam muito bem o que é essa dádiva, espero que gostem <3

A vida, sob a luz do estoicismo e da filosofia clássica, não é um destino, mas uma jornada de auto lapidação — como a da lagarta que, ao ouvir um chamado invisível, abandona a compulsão do movimento exterior para se recolher no casulo e se refazer por dentro.

A vida é um processo de transformação constante. Não é sobre evitar a dor, mas atravessá-la com coragem. 

Vejamos a natureza: as coisas não nascem prontas. Nem os pássaros voando, nem a árvore dando frutos, nem o leão caçando. Nós também não nascemos virtuosos. Por isso, a vida é o tempo que recebemos para nos tornarmos quem ainda não somos, mas podemos vir a ser. Lembre-se: no casulo, a lagarta dissolve a si mesma para que algo mais elevado emerja. A vida é isso, ela faz o mesmo: dissolve suas paixões cegas, seus desejos desordenados, suas ilusões de controle, para que a razão e a virtude se tornem suas asas.

Agora que “sabemos” (com muitas aspas) o que é a vida… 

Há um jeito certo ou errado de vivê-la? 🤔

Vejamos. Para os estóicos, viver bem não é viver sem sofrimento, é viver de forma íntegra diante dele. Epicteto, grande filósofo estóico, nos lembra que não escolhemos os eventos da vida, mas escolhemos como responder a eles. A lagarta, ao aceitar o casulo, não foge da morte de sua antiga forma. Ela a abraça como parte do processo de crescimento. Eu sei, estou sendo repetitiva, mas esse bichinho rastejante é ou não é uma excelente metáfora para tudo?

A filosofia estóica nos convida a viver de acordo com a natureza (kata phusin). Isso significa reconhecer que a vida tem um fluxo próprio, que não gira ao redor de nossos desejos. É aceitar a impermanência, a fragilidade, a interdependência. Assim como a borboleta não controla o vento, mas voa com ele, o ser humano sábio não luta contra a vida, mas aprende a dançar com ela, com serenidade.

Particularmente, sou apaixonada pelo conceito que Aristóteles, em Ética a Nicômaco, chamou de eudaimonia como gatilho para sair todos os dias da minha cama quentinha às 04:00h da manhã: Eudaimonia é a finalidade suprema da existência humana (que é tudo menos prazer, ou sucesso, tampouco tranquilidade passageira); é a plena realização da nossa natureza racional e ética — ou seja, viver com retidão (virtude), cultivando a excelência (areté) em tudo o que somos.

“A vida feliz é aquela conforme à virtude.” – Aristóteles (Ética a Nicômaco, Livro I)No fundo, a vida eudaimônica é um convite a ser inteiro.
É quando o nosso caráter e nossas ações se tornam um só.
É quando o dever e o desejo andam na mesma direção.
Assim como a borboleta realiza sua essência ao voar, o ser humano realiza a sua ao viver virtuosamente.